Ventania
terça-feira, novembro 2
O vento soprava gentilmente e os cabelos dourados e a bainha do vestido de Jasmin seguiam-no graciosamente, como numa linda valsa primaveril. Aquela era a nossa estação predileta, era o momento em que eu notava as mudanças; os vestígios que o tempo deixara. Mesmo tendo em mente sua constância, nunca havia reparado o quanto ele havia deixado marcas em Jasmin.
"Vovó, você já perdeu-se do chão apenas com um simples 'olá'?"
Estava feito, a menina começava a conhecer o amor. E eu, como sua confidente, nada podia fazer a não ser deixá-la descobrir por si só a beleza e a feiúra desse sentimento. Deveria deixá-la, mesmo que me doesse a alma, provar, sentir a doçura do amor, e depois cuspi-lo com amargura. Porque é assim que as coisas são, é assim que sempre foi e é assim que sempre será. Um dia você simplesmente se levanta e percebe que as nuvens não são feitas de algodão, que a lua não é um amontoado de queijo; o coração é apenas um músculo que bombeia sangue para o seu corpo.
De relance, vi passar em minha frente uma sequência de imagens: algumas acompanhavam sorrisos; outras, solidão. Por que o amor é previsível? Por que ele sempre segue essa linha de início, meio e fim? Talvez ele seja como a vida: tão surpreendentemente maravilhosa e surreal que parece durar para sempre, embora todos saibamos que o para sempre sempre acaba.
Mas que seja infinito enquanto dure...
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